Terras Banidas

Entrada Quarta

Escamas! - Parte 2

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PCs: Argrin / Ellien / Gerard / Lalfellos
/ Roland / Stilgar

Segunda-feira, 04 de julho de 2005

Os rastros que partiam de Serravina eram confusos. Por mais de uma vez Gerad e Ellien discordaram do seu significado. As decisões tomadas pelo grupo os levavam cada vez mais para o interior da floresta. Persistiram mesmo após o pôr do sol graças aos olhos astutos da rastreadora, mas enfim decidiram parar para pernoitar ao encontrar uma clareira com sinais de acampamento, possivelmente utilizado por caçadores de Serravina.
As noites do verão de Harkwood são amenas, mas o clima na floresta é um pouco mais frio. Enquanto estendiam suas cobertas no chão frio ao redor da fogueira, muitos invejaram o anão, que montava uma aconchegante tenda forrada com lã. Discutiram os turnos de vigília da noite enquanto se contentavam com a refeição insossa que traziam na bagagem.

Terça-feira, 05 de julho de 2005

Após uma noite sem contratempos, reavivaram o fogo para um desjejum estoico antes de retomar a busca pelos rastros. O céu nublado adiava a dispersão da fina névoa que encobria a floresta, mas a visibilidade ainda era suficiente para se manter uma boa marcha.
Ainda nas primeiras horas da manhã, sinais recentes de talhos na vegetação chamam a atenção dos rastreadores. Detendo-se com mais atenção, identificam um padrão indicando um novo rastro a seguir. Não foi preciso avançar muito na trilha até se depararem com um homem caído na relva.
Argrin e Gerard são cautelosos e sondam o ambiente ao redor, mãos repousando nas armas embainhadas, prontos para ação. A elfa observa, curiosa, o homem desfalecido. Roland e Stilgar adiantam-se para investigar e descobrem que o homem – um idoso – está vivo, com sinais de desidratação. Conseguem dar-lhe um pouco de água, que faz o homem despertar com um olhar fixo no vazio e balbuciar, em um aparente delírio:

“Onde… Onde está ele… Eu vi quando o fogo desceu do céu! Luz e chamas sobre as areias! Ela te salvou… e você agora veio me salvar! Mas… você se afastou do caminho e ele agora está fraco… morrendo. A dádiva foi rasgada, porém um fio ainda resiste. Faça o que você veio fazer, mas ajude o senhor da espada enferrujada.”

O esforço em falar foi suficiente para desfalecê-lo novamente. Roland ponderava, guardando as palavras do homem e pensava se seria esta uma revelação sobre seu destino. Stilgar dava-lhe os primeiros socorros, percebendo sinais de que a pobre alma ingeriu os cogumelos errados. O homem viveria, concluiu, mas precisaria de cuidados que atrasaria a missão do grupo. Ninguém se opôs a oferecer a ajuda necessária e em pouco tempo o homem idoso recobrava a consciência.
O homem apresentou-se como Boran e agradeceu profundamente a ajuda. Ele contou que, após o ataque dos reptilianos a Serravina, os sobreviventes foram levados como prisioneiros e os velhos e fracos seriam assassinados não fosse pela intervenção de um anão, que convenceu o líder reptiliano a abandoná-los na floresta. Perdidos na floresta, Boran, um antigo caçador, resolveu partir em busca de alimento e prometeu retornar ao grupo quando, acometido de um mal estar, desmaiou na floresta. Os aventureiros prontamente se ofereceram para ajudar os refugiados e o homem guiou-os pela floresta até o local onde aguardavam seu retorno.
O céu nublado ocultava o sol, que já se aproximava do zênite quando chegaram ao acampamento dos refugiados. Cerca de trinta camponeses visivelmente debilitados demonstraram um pouco de esperança ao ver o retorno do seu líder. Calculando que as provisões que carregavam seriam insuficientes para dividir entre os refugiados, Ellien se oferece para forragear.
Ao que presumiam ser meio dia uma refeição honesta pôde ser preparada. Um coelho excepcionalmente grande e raízes nutritivas trazidos pela elfa serviram de ingredientes para uma sopa que trouxe um pouco de ânimo para o grupo seguir em busca de um lugar seguro. Durante a refeição ouviram mais relatos sobre o grande número de invasores reptilianos, que diziam ser impossível vencê-los sem um exército.
Após a refeição, em um ritmo lento, o grupo segue pela floresta rumo a oeste. Pouco após o início da marcha uma chuva fina torna o clima ainda mais soturno e horas se passaram até encontrarem uma nova trilha rumo ao norte. Elien e Gerard mais uma vez discutem sobre o caminho que devem seguir. A elfa, desta vez impaciente, afasta-se alguns metros com seu falcão e ajoelha-se sobre a relva. Relaxando, murmura palavras em um idioma antigo com os olhos fixos na ave. Tenta uma primeira conexão, mas algo a distrai e o elo não chega a se estabelecer. Após um sutil praguejo em élfico reinicia o ritual. Dessa vez consegue sentir a conexão com seu falcão. Com um impulso a ave ganha o céu, subindo em círculos. Da floresta abaixo, Ellien enxerga a vastidão da Grande Floresta se estendendo para todos os lados. Para o norte, uma trilha se desenvolve até a margem de um rio e, além deste, cadeias de montanhas.

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Lalfellos foi convocado logo cedo por um dos criados do castelo. No salão estavam Lleroflyn e o barão Fenmarc. Sem rodeios, a senhora élfica logo comunica em tom grave sobre a mensagem recebida minutos antes. Um pássaro trazia um bilhete com a marca do bando reptiliano, assim reconhecida pelos relatos dos refugiados. Neste bilhete estava escrito em ânglico com uma caligrafia refinada:

“Estamos com Dame Eilyn. Paguem 25 marcos de ouro ou nunca irão revê-la.”

O barão, preocupado com a segurança de sua cavaleira, já havia preparado um pequeno baú contendo o valor do resgate. Lleroflyn recomendou que esta tarefa fosse confiada a Lalfellos. O bardo deveria encontrar sua filha e o grupo de aventureiros que se uniu a ela em Serravina, partindo de lá pela floresta em direção ao sul. As ordens do barão deveriam ser transmitidas ao grupo, que deverá abandonar a caçada pelo líder reptiliano e negociar o resgate de Dame Eilyn.
O cavalo mais veloz do estábulo do barão foi cedido ao elfo, que imediatamente partiu em disparada pela estrada rumo a Serravina. Antes do meio dia já era possível avistar a colina que demarca a entrada do vilarejo. Reduzindo a marcha, Lalfellos percorreu os últimos metros da estrada até a entrada do vilarejo. Atravessou a passagem e viu as vítimas da emboscada caídas no caminho.
Enquanto cruzava o vilarejo uma chuva fina se iniciava. Viu os reptilianos mortos e alcançou a floresta ao sul. Desmontou assim que alcançou a sombra das árvores e deixou o cavalo beber água que se acumulava em um sulco na rocha. Bebeu do seu odre enquanto pensava no caminho a seguir. Suas informações apenas o conduziriam até ali. Para ir além teria que contar com seu instinto e sua sorte, já que não tinha experiência em seguir rastros. Decidiu prosseguir pelo que julgou o caminho mais evidente: uma trilha para oeste.
Montou novamente e seguia em um trote, a trilha desviando cada vez mais para o norte e o terreno mais elevado. Chegou enfim ao fim da trilha na encosta de uma escarpa. A parede rochosa bloqueava seu caminho a norte e a leste. Ao sul e ao leste tinha uma visão privilegiada da grande floresta. Sem saber qual rumo seguir, apenas deteve-se apreciando a paisagem diante de si.
Um ponto a sudoeste chamou sua atenção, subindo em espiral acima das copas das árvores. Sua memória o ajudou a reconhecer os padrões na plumagem da ave. Sorriu satisfeito e guiou sua montaria retornando para a trilha e em seguida rumo a sudoeste.

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Há pouco tinham retomado a caminhada para o norte quando ouviram sons de cascos se aproximando pela direita. Stilgar apenas relaxou ao notar as expressões despreocupadas dos seus companheiros. Lalfellos aproximou-se do grupo e, ainda montado, explicou sua missão. Roland estava decidido a levar os refugiados a um lugar seguro antes de prosseguir com o resgate e todos concordaram.
Em menos de uma hora chegaram à margem do rio, onde havia ruínas de uma ponte de pedra. Metros abaixo o rio fluía rápido, desencorajando uma travessia. Passaram algum tempo decidindo o que fazer até que, na margem oposta do rio surge um soldado interpelando-os. Quando respondem com o pedido de abrigo, o soldado pede para que aguardem.
Os refugiados acreditam que as terras na margem oposta do rio são conhecidas como Vale do Outono, propriedade de um poderoso senhor, a região é famosa pela produção de maçãs e, segundo os habitantes de Serravina, possui soldados suficientes para manter o vale seguro. Desde a queda de Blythe, poucos se atreviam a deixar a segurança da vila, e não tinham notícias dos seus vizinhos.
Alguns minutos depois surgiu na margem oposta da ponte um oficial acompanhado de mais soldados. O capitão confirmou a suspeita dos refugiados e ofereceu abrigo no Vale do Outono com a condição de que deveriam entregar suas armas durante a permanência. Boran e os refugiados aceitaram a oferta. Os aventureiros recusaram e decidiram prosseguir em sua missão de resgate. Despediram-se dos refugiados, que agradeceram por toda ajuda. Os soldados estenderam escadas de madeira sobre as ruínas da ponte para permitir a travessia.
Stilgar sugere que, se quiserem encontrar reptilianos deveriam prosseguir viagem pela estrada, já que durante sua jornada raramente os via perambulando pela floresta. Aceitando a sugestão, os aventureiros seguem rumo a oeste acompanhando a margem do rio até encontrar uma passagem para o norte, enfim deixando a floresta e retornando à estrada que conecta Blythe a Harkwood.
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A chuva já havia encerrado e o sol da tarde dispersava as nuvens quando avistaram ao longe um vilarejo formado por um agrupamento de casas na encosta de uma colina e cortado por um riacho. Aproximando-se, viram guardas reptilianos vigiando em pontos elevados da colina. Já haviam notado a aproximação dos aventureiros, mas não demonstravam intenção de detê-los. Ainda da estrada, viram mais soldados reptilianos e um grupo que parecia aguardá-los. Na margem do riacho, um anão estava à frente, passos atrás um reptiliano de escamas cinzentas (correspondendo à descrição de Sheerkil) e ao lado deste Dame Eilyn.
Vestindo uma cota de malha, o anão foi reconhecido por Roland, Gerard e Argrin como o mercenário que partiu de Harkwood na companhia de Dame Eilyn. A cavaleira estava sem sua armadura e vestia apenas roupas acolchoadas de linho. A poucos passos, o grupo parou quando o reptiliano sacou sua espada, apontando-a de forma ameaçadora para a cavaleira. Roland notou sinais de ferrugem na lâmina.
O anão parecia satisfeito em vê-los. Analisando os aventureiros, fez uma proposta inusitada para Argrin: um duelo. Caso fosse derrotado, deixaria que resgatassem a cavaleira sem pagar o resgate. Se vencesse tomaria o machado de Argrin para si. O orgulho do guerreiro foi provocado, e o desejo de fazer seu oponente sangrar o fez aceitar o desafio.
Seu adversário apresentou-se como Vorkan e, dos alforjes de um cavalo, sacou suas armas: mangual e escudo. Afastando-se para uma área plana, posicionaram-se frente a frente. Argrin também anunciou seu nome.
Com um rugido Argrin investiu. A fúria do guerreiro pegou seu adversário de surpresa, que foi atingido no flanco direito, rompendo elos da cota de malha e fazendo sangue brotar. Apesar do ferimento, Vorkan manteve-se firme e conseguiu parar a rajada de golpes de machado com seu escudo.
Os ataques do mangual eram traiçoeiros, sendo aparado com grande esforço. Um deslize resultou em golpe certeiro no ombro esquerdo de Argrin. O ataque poderia ter levado ao chão um oponente menos formidável, mas o guerreiro temperado em inúmeras batalhas nas montanhas de Zarak não diminuiu suas investidas.
Vorkan utilizava bem o escudo de modo que as investidas dos machados encontram apenas madeira. A violência dos golpes faz saltar lascas e tinta, porém o braço do defensor se mantém firme.
Um novo giro imprevisto do mangual atinge a mão esquerda de Argrin. O choque faz seus dedos vacilarem e o machado aterrissar metros a sua direita. Sabia que sua mão estava inutilizada e sua única chance seria um golpe de sorte. Explodiu em um grito de fúria em uma investida com seu precioso machado, finamente trabalhado nas forjas de Zarak por seu irmão. A última lembrança de sua casa, companheira de tantas batalhas, se chocou contra o escudo. A madeira foi dividida expondo o braço coberto por elos de aço, mas o momento foi insuficiente para o gume encontrar a carne.
O mangual girou mais uma vez e arremeteu, dessa vez seu alvo era o prêmio cobiçado por Vorkan. A corrente envolveu o machado e arrancou-o da mão do seu dono. Desarmado, Argrin aceitou sua derrota e foi imediatamente socorrido por seus companheiros. Stilgar avaliou que os ossos da mão esquerda não foram danificados e com os cuidados corretos o anão voltaria a manejar o machado.
Lalfellos negociou a libertação de Dame Eilyn e entregou a caixa com o pagamento para o anão. O reptiliano libertou a cavaleira que agradeceu a ajuda do grupo. Decidiram retornar imediatamente para Harkwood e como o anão estava bastante debilitado para caminhar, foi levado pelo cavalo. Viajaram até que estivesse escuro demais para caminhar em segurança e acamparam na estrada.

Quarta-feira, 06 de julho de 2005

Chegaram a Harkwood ao final da tarde após uma jornada tranqüila. Argrin foi imediatamente levado à Guilda dos Curandeiros para receber cuidados médicos, mas ao saber dos valores cobrados prefere tratar os próprios ferimentos. Em seguida foram recebidos no castelo pelo barão Fenmarc, acompanhado por Lleroflyn. Os relatos do poder militar dos reptilianos deixaram-no preocupado, mas ficou contente em saber do resgate dos habitantes de Serravina e surpreso com a notícia de que o Vale do Outono se mantinha intocado.

Nos próximos dias…

A notícia do fracasso de Dame Eilyn espalhou-se rapidamente, elevando a tensão na cidade. Um grupo de camponeses, insatisfeitos com a falta de providências do barão, formou uma milícia e reúne esforços para fortificar as propriedades fora dos muros da cidade. Cresce também certa tensão racial na cidade. A quantidade de soldados elfos diminui gradativamente na patrulha da cidade e muitos contestam a influência de Lleroflyn sobre o barão.
A Guilda dos Lenhadores espalhou cartazes de busca por um grupo de trabalhadores desaparecidos na floresta há mais de uma semana. Há uma oferta de recompensa: 50 cêntimos de cobre ($50) por pistas que levem a seu paradeiro ou um marco de ouro ($200) pelo resgate dos trabalhadores.
Argrin obteve notícias de que sir Galford estava em apuros e havia solicitado apoio do barão Fenmarc, com urgência, para contratar mais mercenários e prosseguir em sua busca. O senhor de Harkwood teria interesse em prestar apoio ao senhor de Blythe, mas receia deixar suas terras vulneráveis.
A demanda por serviços da Guilda dos Curandeiros cresceu nos últimos dias e Stilgar foi procurado para trabalhar para a guilda. Do líder da guilda ficou sabendo que houve o furto de um carregamento de elixires da cura. O mestre da guilda prometeu uma recompensa de 25 tostões de prata ($100) para quem levasse o culpado à justiça e uma dose do elixir caso a carga valiosa também seja recuperada.
Ellien e Lalfellos não foram vistos desde o retorno a Harkwood. Em uma madrugada insone Gerard havia saído do Leão Desajeitado quando notou uma movimentação estranha na mata próxima. Aproximando-se furtivamente, descobriu Arvin, Ellien e Lalfellos em uma discussão acalorada. Supresos quando o espadachim os interrompeu, os elfos se desculparam, dizendo que não podiam dar explicações, mas que precisavam de sua ajuda para evitar que pessoas fossem à Grande Floresta. Também pediram que este assunto fosse mantido em segredo.

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Murilo Murilo

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